Paixões
Eu gosto muito de paixão nas coisas. Esse modo de viver socialmente aceito q é arrancar a paixão de tudo é um trem que me destrói completamente.
Vários assuntos tangeciam isso. "O Gil reforça esteriótipos ruins" é o incômodo q as pessoas tem pela paixão do Gil em ser viado viadérrimo. Ele é apaixonado por ser gay. Era o "amor proibido" dele qdo ele vivia dentro da igreja.
"Enfeitar as anotações da escola" é o incômodo da paixão pelo design, por deixar as coisas mais lindas que algumas pessoas iluminadas e abençoadas com esse dom tem. É uma qualidade incrível e que quase todo mundo gostaria de ter. Mas não pode, tem q matar a paixão da pessoa.
E eu não sei se paixões são associadas a feminilidade pq vcs odeiam mulheres ou se associam o feminino às paixões pq vcs odeiam paixões. Eu fico na dúvida.
A gente leu no clubinho do livro uma ficção científica/fantasia incrível de 1899 escrito por cearense chamada Emília Freitas. A Rainha do Ignoto o nome do livro. E desde q a gente leu eu tenho pensado tanto nessa coisa das paixões e de como mulheres amam.
Pq "como mulheres amam/se apaixonam" não é uma coisa nova. Tava lá nos outros séculos a Emília escrevendo sobre essa força quase sobrenatural das mulheres quando se apaixonam. E de como faz falta a fruição dessas paixões. Da dor, do vazio, da falta de propósito.
E nas nossas próprias vidas eu noto como a experiência q se repete é q quando nos apaixonamos, independente de por quem ou por o que nos apaixonamos, as primeiras respostas sempre são descendo o porrete nas nossas costas.
Outro dia tava rolando umas críticas na tl a uma conversa no reddit de mulheres escrevendo sobre como era seus casamentos com homens q elas sabiam que não eram suas "almas gêmeas". E o grosso das críticas era "nossa não existe isso de alma gêmea" e tal.
Pq a idéia que se reforça entre nós é q vc, mulher, precisa aceitar o amor que lhe é oferecido e não aquele que vc realmente sente. (em relacionamentos hetero, né? mas talvez isso se repita por uma questão cultural em outras combinações de gênero)
E aí nessa dinâmica o amor se torna aquilo que os homens negam às mulheres. Isso a gente vê até na própria cerimônia de casamento (como as fotos do Rodolfo e da Kaliman servem pra demonstrar).
Tanto que no feminismo a gente fala muito disso. De como o homem dedica seu afeto e admiração a outros homens enquanto só direciona o seu desejo sexual à mulheres. É o Arthur do Big Brother. O carinho e afeto dele foi pro Projota, agora pro Gil, até pro Fiuk q era o nêmesis dele.
Pra Carla q era a "namorada" dele só entregou desprezo, mal tratou, falou mal, fez pouco caso. É pq por ela ele não era "apaixonado" ou pq é isso q é reforçado e estimulado na nossa sociedade? Parece q pra ele mulher nem gente é.
E não só sob esse recorte romântico. A Juliette mesmo já perguntou várias vezes. "Pq fulano, ciclano, beltrano ele perdoa e pra mim nunca tem perdão?" Por que? Eu acho q é pq ela é mulher.
E na reunião do clubinho do livro eu até comentei isso, q é um incomodo que eu sinto desde que nasceu minha sobrinha. Ela, desde muito pequena, já demonstra essa coisa das paixões e de se apaixonar e a minha primeira reação a isso foi me preocupar.
Pq a minha experiência enquanto uma mulher que se move através de paixões é que isso só me trouxe sofrimento. Isso me trouxe desrespeito no âmbito profissional e humilhações no pessoal. Claro q se isso fosse algo ensinado eu nunca ensinaria pras minhas herdeiras.
Mas aí minhas herdeiras vieram ao mundo assim. Faiscando. Queimando. Eu não sei o que fazer com isso. Eu não sei o que dizer pra elas que não as apague e que ao mesmo tempo não seja tão doloroso.
E eu acho cruel demais um mundo, uma sociedade, que gaste tanta energia e esforço pra fazer com que as pessoas sejam menos apaixonadas. Pq paixão é um negócio muito bonito. Dá gosto de ver. Dá gosto de sentir. Aquece o coração.
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Quando eu conheci a menina que até hoje é minha melhor amiga, a @vimpelosushi, eu me apaixonei completamente. À primeira vista.
Ela era uma das calouras do meu curso e assim q eu bati os olhos nela eu apertei a mão do meu amigo e sussurrei no ouvido dele "eu preciso que essa menina goste de mim tbm, eu preciso tanto que parece que a minha vida depende disso".
Depois disso foi que eu descobri quem era ela. Que a gente já se seguia aqui no twitter. Q ela era namorada de um amigo meu. E daí em diante foi só alegria. Nunca foi romântico, mas sempre foi apaixonado. Até hoje é.
Aí você vem me dizer que não existe amor a primeira vista? Vem me dizer que não existe almas gêmeas? Que não existe amar tão completamente alguém e ser tão completamente amado? Existe sim.
Tem um esforço. Claro q tem. Eu já quis matar ela. Várias vezes. Ela dá uns vacilos comigo que eu não sei como q eu aguento. E isso é parte da magia. Amar e ser tão apaixonado por alguém que vc aguenta até os defeitos horrorosos da pessoa. Pq ela te ama tbm.
Lembro que no início da nossa amizade ela escreveu um texto lindo sobre mim. Era algo sobre eu ser puro amor. Até gostaria de reler se ela ainda tiver. Talvez eu tenha, tenho q procurar. O fato é q a pessoa q eu era, aquela pessoa linda q ela descreveu, eu fui deixando de ser.
E eu fui deixando de ser pq eu fui ensinada. Na marra. Na violência. Foi cada socão na minha cara que vcs não acreditam.
É muito difícil vc ser uma fonte inesgotável de amor, carinho, compreensão, qdo do outro lado vem soco, e soco, e soco.
E o problema não são só os socos. É quando a gente toma soco e as pessoas ao redor ficam "bem feito. tá vendo q q dá ser tão inocente? tá vendo q q dá acreditar nos outros? vai tomar soco de novo se continuar assim". Vai tomar no cu esse meio q a gente vive.
E aí o momento político q a gente vive serve demais pra pontuar algumas coisas. Metade de nós é HORRIVEL. É gente que adora o ódio. A violência. A morte. Não sou eu que tenho q ser como eles. Eles q tinham que ser como eu.
E é engraçado q antes eu falava isso "acho que o pessoal aqui em torno é horrível, eles são malignos, eu tenho medo deles" e por anos as pessoas ficavam "não, pq vc é paranóica, claro q ninguém é tão maligno assim como vc tá falando". ANOS. Eu era a doida.
E todo esse horror que a gente tá passando ao menos me serviu pra enxergar q eu não era doida nada. Q são eles q estão errados sim. E aí eu vou fincar o pé pra caralho: TENHO NENHUM INTERESSE DE SER COMO ELES.
Então eu to nessa vibe. De reabrir a fonte. Eu quero amar todo mundo, foda-se. Ces tem defeito? Deixa eu ver, eu não vou te odiar por isso. Mas daí eu devo tomar mais uns socos. Mas tanto faz tbm. Soco nunca me matou.
Lori Le Meyers
Twitter : @lorimeyers

Acho fantástico, Lori. A gente tem de voltar a amar as coisas, a sentir essa paixão e esse tesão pela vida. Estou nessa vibe tb. Tentando ver graça nos prazeres simples do cotidiano, como as plantas e o podcast. Acho que esse é o caminho. Amarmos cada vez mais. 😊 Beijos, Priscila.